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Troca de ciclo: como lidar com novas responsabilidades.

por 28 de junho de 2017 Não há comentários

A troca de fase escolar estabelece uma nova dinâmica para pais e filhos, o que exige disciplina para conseguir realizar as adaptações necessárias. Os pré-adolescentes passam a administrar o conflito entre a liberdade e as obrigações, a autonomia e o dever. O papel dos pais nesse momento é definidor e, por isso, algumas dicas práticas podem contribuir para lidar com a fase.

Estabelecendo limites

Desde o nascimento da criança, os pais têm uma função determinante na vida de seus filhos: colocar limites. Um adulto sem limites foi uma criança que cresceu sem eles, sem alguém para dizer-lhe que não podia fazer uma ou outra coisa. A cada mudança de ciclo, os limites também ganham novos contornos.

O pré-adolescente, com seu desejo pulsante de autonomia, questiona os limites anteriormente dados, uma vez que, em muitos casos, não se aplicam mais. O importante nesse momento é conversar e estabelecer novas regras, para que o filho saiba claramente os seus novos limites. Não nos cabe aqui dizer quais são eles, já que a forma de educar é algo que cabe exclusivamente aos pais.

Para o doutor em psicologia educacional Paulo Afonso Caruso Ronca, “independentemente da linha de educação que uma família decide seguir, é preciso criar limites para que o desenvolvimento do seu filho seja saudável, tanto do ponto de vista psíquico quanto físico. É importante que as regras sejam colocadas e na medida certa, sem muito autoritarismo e sem excessiva permissividade, o tão conhecido equilíbrio”.

É preciso considerar também que os novos limites devem se adequar também à mudança de professores, às novas amizades e ao acesso a novas situações e informações.

A punição não é um bom caminho

A punição para o pré-adolescente só o faz ficar ressentido, irritado e desrespeitado, já que há uma ligação automática da punição com a infância. Mesmo quando criança, a punição deve ser evitada, uma vez que o filho pode aprender como suportá-la e voltar a realizar aquilo que se tenta evitar.

Ao invés de punir, é preciso adotar um pulso firme. Estabelecer limites, apontar a transgressão e agir. O filho deve perceber que há uma consequência para cada ato que ele fizer e que nem sempre ela está ligada aos pais. É mais eficiente esclarecer a responsabilidade pelas ações do que punir. Até mesmo porque a responsabilidade, a autonomia e a liberdade andam lado a lado.

É importante destacar novamente que a situação se torna mais fácil se, desde criança, as regras tiverem sido estabelecidas e explicadas. Se houver diálogo, o pré-adolescente consegue compreender que ele ultrapassou os limites acordados e que precisa reparar seus erros.

Novas regras = nova rotina

Conferir mais responsabilidade ao filho conforme seu desenvolvimento é um processo natural de construção da personalidade. Conforme dito anteriormente, o diálogo para estabelecer novas regras é fundamental para que ele compreenda as mudanças e os limites..A pré-adolescência é a época em que o filho desenvolve melhor a noção do coletivo, sua função dentro de casa e o impacto de suas decisões. Se ele assume um novo papel, deve se adequar para cumpri-lo sempre que for “chamado”. A cada nova regra, a rotina se adéqua.

Porém, é preciso lembrar que o estabelecimento de novas regras não precisa ser algo sofrido, incômodo. Pelo contrário, se ela é colocada por meio do diálogo e do acordo, a evolução pessoal é natural e leve. Os limites devem estar relacionados ao que o filho pode ou não fazer, mas de forma alguma devem barrar as conquistas que ele está fazendo ao longo da vida.

A cada troca de ciclo, aparecem novas responsabilidades que serão importantes para a construção da personalidade. As mudanças são, por isso, encantadoras; quanto maior a responsabilidade, a independência e o poder de decisão, maior o aprendizado, que é levado para o resto da vida. E com os pais presentes, tudo se torna mais fácil!